Para delegado aposentado, falta de planejamento é o maior problema da segurança no RN



Faltando pouco mais de três semanas para as eleições (o 1º turno acontece no dia 5 de outubro), a melhoria na segurança do Rio Grande do Norte segue sendo uma das principais preocupações da população no momento de analisar as propostas dos candidatos ao Governo. Também neste período, muitas categorias e “especialistas” têm procurado, de alguma forma, tentar sugerir soluções para o atual momento de insegurança que o RN vive.

 

Seguindo essa linha, o delegado aposentado e ex-vereador, Heráclito Noé, que dedicou mais de 30 anos da vida para a Polícia Civil e que também trabalhou como professor da Academia da Polícia Militar, foi presidente do CONEN (Conselho Estadual de Entorpecentes), dentre outros cargos no sistema de segurança do RN, elaborou uma série de ações que o próximo governador poderia adotar para tentar diminuir os índices de criminalidade no Estado. Para ele, apesar de os recursos serem insuficientes para atender a demanda, a falta de planejamento é o problema mais grave que vem ocorrendo.

 

“Quando não se tem um plano e surgem linhas de financiamento, o que normalmente ocorre é a elaboração de uma lista de compras: viaturas, coletes, armas e munições. Isso é o básico, e não deveria faltar nunca. Fazer solenidade para entrega de viaturas, o que tem ocorrido ao longo do tempo, é o sinal mais evidente da nossa falência. É como fazer uma festa cada vez que a Unicat (Unidade Central de Agentes Terapêuticos) é abastecida de medicamentos”.

 

Ainda de acordo com o delegado, é preciso fazer uma reformulação no modelo da segurança pública. “O modelo de segurança pública atual está ultrapassado. É preciso um novo arranjo institucional. No meu entender, essa questão antecede o item da falta de investimentos. Por mais que tenhamos recursos, sem integração e gestão não atingiremos resultados efetivos de redução da criminalidade”, afirmou.

 

Um dos pontos apontados por Heráclito que precisaria mudar é a integração entre os órgãos que compõem o sistema de segurança Estadual. “Dentro do sistema federativo, falta a integração vertical entre as três esferas de poder: União, Estados e Municípios. No nível estadual, falta a integração horizontal entre as polícias Militar, Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Técnica, Fundac, Sistema Penitenciário e Defensoria Pública. Não ouvimos as universidades, a sociedade civil organizada, nem a rede de proteção social”.

 

Em um texto que divulgou recentemente, denominado de “Anotações sobre Segurança Pública para o futuro Governador do Rio Grande do Norte”, Heráclito Noé transcreveu uma resposta que recebeu do delegado geral da Polícia Civil, Adson Kepler, quando questionado se a falta de planejamento e de estrutura prejudica o trabalho policial.

 

“É preciso um investimento maciço em tecnologia da informação (TI) para obtenção em tempo real dos dados de forma transparente, segura e sem mobilizar muitos servidores só para o trabalho de estatísticas e coletas de dados. A polícia civil não tem um quadro administrativo como a Polícia Federal nem sequer um nível de informatização capaz de promover um diagnóstico preciso da realidade produtiva da polícia civil e militar. Vários secretários de segurança já assumiram com a visão de que o problema é mais de gestão do que falta de recursos e todos descobriram que um problema não sobrepõe o outro. Ambos existem por igual, até porque gestão não se faz de cima para baixo, os subordinados e assessores têm que ser e estar qualificados, motivados e envolvidos”, afirmou Kepler.

 

Noé também lembrou da necessidade de se aumentar o efetivo das polícias Militar e Civil, além da necessidade de se evitar que policiais sejam colocados para realizarem atividades administrativas ou serem cedidos para outros órgãos. Heráclito ainda afirmou a necessidade de se investir mais no Instituto Técnico-Científico da Polícia (Itep). “Cada vez que o comando da polícia militar anuncia o ingresso de oficiais e praças nas suas fileiras, e a polícia civil aumenta o seu contingente – ainda que bastante defasado – com novos agentes e delegados, uma pergunta me ocorre: e para o Itep, nada? O Instituto Técnico-Científico de Polícia do Estado do Rio Grande do Norte/Itep-RN, além de carecer de novos equipamentos e tecnologias para o enfrentamento do crime, precisa urgentemente da ampliação e interiorização dos seus quadros”.

 

Confira  algumas  sugestões  do  delegado  aposentado  para  o  próximo  governador  do Estado:

 

INTEGRAÇÃO DESDE A FORMAÇÃO

Criação do Centro Integrado de Ensino e Pesquisa em Segurança Pública (Cieps), onde a formação e qualificação de todas as polícias seriam feitas em conjunto.

 

PLANTÃO COM DIGNIDADE

Existem duas Delegacias de Plantão para atender a Grande Natal. Uma, na Zona Norte e outra, na Zona Sul. Elas são a vitrine da segurança pública. Recebem pessoas das mais diversas classes sociais, de A a Z. Qualquer governante que tenha compromisso com a segurança terá que transformar esses equipamentos em unidades de referência, dotadas de estruturas e equipamentos modernos, funcionais e dignos para os que ali trabalham e para os que recorrem aos seus serviços. É urgente a criação de mais um plantão na Zona Oeste da cidade e outro para atender os dez municípios que compõem a Região Metropolitana de Natal.

 

CENTRALIZAR PARA FACILITAR

Criação da Central de Delegacias Especializadas, reunindo as principais delegacias especializadas num só local, facilitando a vida da população; uma espécie de “central do cidadão da segurança pública”.

 

INTERIORIZAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL

Se, na capital, próximo ao centro de decisões, a situação é de total abandono, imagine no interior. É preciso oferecer uma estrutura adequada principalmente para as Delegacias Regionais. É urgente a recuperação real do efetivo, não a mera reposição e remanejamento. Para isso, o próximo Governo tem que extinguir secretarias e cargos comissionados visando possibilitar recursos financeiros para novos concursos.

 

Fonte: O Jornal de Hoje



Postado em: 15/09/2014

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