Degepol pede aumento de 50%



A Polícia Civil do Rio Grande do Norte precisa de pelo menos 50% a mais do que o efetivo disponível atualmente para dar conta das investigações de crimes que ocorrem no estado. Quem confirmou foi o delegado geral, Ricardo Sérgio Costa Oliveira, que também disse que a Civil não tem aumento no número de policiais desde o ano de 2006. “O concurso de 2008 só supriu a vaga dos aposentados e agentes que haviam falecido”, reclamou.

 

Na Polícia Civil são 1484 servidores, entre escrivães, delegados e agentes, número considerado muito baixo para Ricardo Sérgio. “Por mais que a gente tente fazer, é incompatível o número de policiais com a demanda de crimes”, afirmou o delegado geral, dizendo que para conseguir resultados satisfatórios é preciso “concentrar esforços”. “E precisamos definir em quais casos isso será feito. Normalmente acontece com os de maior comoção social. Não dá para fazer em todos”, relatou.

 

Esta foi a explicação do titular da Degepol para a falta de resolutividade das ocorrências de chacinas que têm acontecido na capital e no interior do estado. A última aconteceu na  madrugada de ontem, em Nísia Floresta, quando quatro membros da mesma família foram executados dentro da residência onde morava, no loteamento Santo Antônio. Semelhante ao que ocorreu na chacina da cidade de Poço Branco, em março deste ano, os suspeitos invadiram a casa das vítimas, as assassinaram a tiros e escaparam sem deixar pistas. O caso do município de Poço Branco também permanece sem resolução. Por lá, o modus operandi foi idêntico. Três irmãos e a mulher de um deles, uma adolescente que estava grávida, foram brutalmente executados dentro do imóvel onde viviam. O delegado Antônio Taveira, titular da DP regional de João Câmara e responsável pelas investigações, disse ontem à reportagem da TRIBUNA DO NORTE que o caso não evoluiu em nada. “Infelizmente não pudemos contar com informações da população e estamos buscando outros maios para chegar aos responsáveis pelo crime”, lamentou.

 

Em setembro do ano passado houve outra chacina que chocou a população do bairro de Cidade Nova. Na ocasião, cinco homens foram assassinados com tiros de espingarda calibre doze em um bar localizado na comunidade. Testemunhas relataram à época que quatro homens foram os responsáveis pelos homicídios. Todos encapuzados. O delegado Laerte Brasil, da Delegacia Especializada de Homicídios (Dehom), foi designado especialmente para apurar o caso. Ele também afirmou ontem que as investigações prosseguem e não há novidades sobre o inquérito. Brasil e os outros três bachareis que respondem pela Dehom têm ainda várias outras apurações em curso, que se acumulam na DP dada a demanda.

 

O responsável pela Degepol, Ricardo Sérgio, confirmou que são 168 delegados para atender aos 167 municípios do Rio Grande do Norte. No entanto há profissionais que concentram as atividades em mais de duas dessas cidades, sem contar com os que estão de férias ou de licença. “Nós precisamos da nomeação de mais gente para compor o nosso quadro”, corroborou o delegado geral.

 

Quatro pessoas da mesma família são executadas em Nísia Floresta

 

Quatro pessoas da mesma família foram executadas na madrugada de ontem, em Nísia Floresta, na Região Metropolitana de Natal. Uma mulher, um casal de filhos dela e a nora, viúva de um outro membro da mesma família, foram assassinados dentro da casa onde moravam, no conjunto Carnaúbas, por volta das 2h da manhã. Nenhum deles foi identificado ainda pela polícia até o final desta edição.

 

Segundo o soldado Oliveira, do 3º Batalhão da Polícia Militar, os suspeitos chegaram em dois carros, um preto e um prata, e uma motocicleta. Eles invadiram a residência e iniciaram a chacina. A polícia acredita que os homens tenham utilizado revólveres para executar as vítimas, visto que não havia cápsulas de munição pelo imóvel. Ainda de acordo com o soldado, a orelha de uma das mulheres, a filha da matriarca, foi decepada pelos criminosos. “O que denota que o homicídio pode ter sido encomendado e a orelha levada como prova da execução”, informou Oliveira.

 

O policial também disse que, entre os anos de 2003 e 2013, nove pessoas dessa mesma família foram assassinadas. A polícia foi acionada após a chacina e ainda realizou diligências na tentativa de encontrar os responsáveis. No entanto ninguém foi preso, bem como ainda não se tem informações sobre a identidade dos executores.

 

95% dos homicídios não são desvendados

 

De acordo com órgãos fiscalizadores da Segurança Pública estadual, em torno de 95% dos homicídios não são desvendados, por falta de provas técnicas.  Um levantamento recente feito pelo Conselho Estadual de Direitos Humanos comprovou que dos 444 homicídios ocorridos em Natal ao longo de 2012, somente 22 deles foram elucidados, um percentual de 4,95% do total. Somente nos primeiros quatro meses deste ano, 471 pessoas assassinadas no Rio Grande do Norte. Além da vertiginosa escalada da violência, o primeiro Diagnóstico da Perícia Criminal no Brasil, elaborado ao longo de 2012 e publicado em fevereiro deste ano pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), posiciona o instituto técnico de perícia potiguar entre os de pior estrutura humana e material dentre todos os avaliados em todo o país.

 

No texto da apresentação do Diagnóstico, assinado pela titular da Senasp, Regina Miki, a perícia é apontada como um “fator fundamental para realização de investigações inteligentes e profissionais, que resultem na identificação do criminoso e na produção de provas que possibilitem sua condenação”. Para isto, porém, Regina Miki defende o “reconhecimento da importância do investimento” na perícia. No Estado potiguar, porém, os dados refletem uma realidade divergente.

 

Aqui, a média é de 1,51 peritos por habitante, segundo dados do relatório da Senasp. Com duas Unidades de Criminalística, sendo uma em Natal e outra em Mossoró, os 48 peritos criminais que atuam no Instituto Técnico e Científico de Polícia (Itep/RN), se dividem entre as respectivas.

 

 

 

Fonte: Tribuna do Norte



Postado em: 19/06/2013

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