PF indicia presidente do Bradesco e mais nove



A Polícia Federal indiciou, nesta terça-feira (31/5), o presidente do banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e mais nove pessoas por acusações ligadas à chamada operação zelotes, que investiga corrupção do Conselho de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (Carf).  A PF suspeita que Trabuco tenha participado da contratação de escritórios de consultoria para pagar conselheiros do Carf em troca de decisões favoráveis.

Os nomes dos demais indiciados não foram divulgados. A Procuradoria da República no Distrito Federal confirmou o indiciamento e a menção ao nome do presidente do Bradesco, mas disse não pode dar informações novas sobre o caso.

Segundo o MPF, o indiciamento é uma etapa administrativa anterior à denúncia, e não tem consequências concretas para os envolvidos. E ainda não houve pronunciamento da PR-DF sobre as informações. É que o inquérito principal da operação zelotes foi dividido em inquéritos menores e a PF faz relatórios a respeito de cada um deles.

O indiciamento é a parte do relatório da PF sobre o inquérito em que ela diz quem tem culpa ou não, no entendimento dela. Agora, o Ministério Público vai estudar o relatório da PF para decidir o que fazer, se oferece denúncia, pede novas diligências, complemento das informações etc.

De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, a PF tem informações de que um grupo que atuava pagando propina a conselheiros do Carf procurou o banco para oferecer seus serviços em troca da anulação de uma autuação fiscal de R$ 3 bilhões. Segundo relatório da PF, ainda segundo o Estadão, Trabuco e dois executivos do Bradesco participaram de reuniões com integrantes dessa “organização criminosa” para tratar da atuação perante o órgão.

Em nota, o Bradesco afirma que não contratou os serviços prestados pelo grupo investigado por corromper integrantes do Carf e lembra que foi "derrotado" por seis votos a zero no julgamento do conselho.

"O mérito do julgamento se refere à ação que o Bradesco perdeu em todas as instâncias da Justiça, em questionamento à cobrança de adicional de PIS/Cofins. Esta ação foi objeto de recurso pela Procuradoria da Fazenda no âmbito do Carf. O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente por meio do seu corpo de advogados. O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e reafirma sua confiança na Justiça", diz a nota.

O banco também divulgou um comunicado "ao mercado", no qual afirma que “o indiciamento toma de surpresa a Administração do Bradesco, considerando que os dois Diretores foram ouvidos apenas como testemunhas e o Presidente da Companhia sequer foi ouvido”.

Leia a nota divulgada à imprensa:

    O Bradesco informa que não houve contratação dos serviços oferecido pelo grupo investigado. Acrescenta que foi derrotado por seis votos a zero no julgamento do Carf. O Bradesco esclarece ainda que o presidente da instituição, Luiz Carlos Trabuco Cappi, não participou de qualquer reunião com o grupo citado.

    O mérito do julgamento se refere a ação vencida pelo Bradesco em todas as instâncias da Justiça, em questionamento à cobrança de adicional de PIS/Cofins. Esta ação foi objeto de recurso pela Procuradoria da Fazenda no âmbito do Carf.

    O Bradesco irá apresentar seus argumentos juridicamente por meio do seu corpo de advogados.

    O Bradesco reitera seus elevados padrões de conduta ética e refirma sua confiança na Justiça".



Postado em: 01/06/2016

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